quarta-feira, 24 de março de 2010

Eu estava em mais uma de minhas consultas com a minha psicóloga Ana, então como de costume ela me pediu para que eu deitasse em uma poltrona confortavel e inclinada.
- Nós vamos fazer hoje um auto-reconhecimento - disse ela me olhando - por favor feche os olhos e relaxe.
Fechei meus olhos , e tudo estava silencioso. Comecei então a pensar em muitas coisas, de como eu iria dizer tudo o que eu estava sentindo, de como iria desabafar meus problemas ou por qual deles iria começar a falar. Então ela interrompeu o meu transe.
- Julie, eu quero que entre dentro de si mesma e me diga onde você está?
"Onde estou?", pensei. "O que seria aquele tal auto-reconhecimento?". Minha cabeça estava atordoada de um turbilhão de pensamentos.
- Por favor, se concentre, é um dos exercicios fundamentais para a sua melhora - disse como se eu fosse uma doente metal.
Me senti doente, muito doente precisando urgentemente de ajuda. Mas eu sabia que não era. Resolvi provar para ela o contrário. Me aninhei mais ainda a poltrona, e me imaginei em um lugar vazio tudo era branco, e a minha frente estava eu, em pé, com os olhos fechados e sorrindo, como se eu estivesse sentindo algo magico. Andei até mim mesma e fiz uma coisa mais improvavel em todo o planeta, entrei dentro de mim mesma. E me assustei pelo modo que eu estava, sentada em uma cadeira no centro de uma sala e com o meu corpo de frente com a porta, mas a uma boa distancia. A sala era enorme e tão vazia que dava uma certa melancolia continuar ali.
Eu estava completamente agasalhada, com casacos longos e grossos me aquecendo, e um cachecol fofo aquecendo meu pescoço e uma touca de croche sobre minha cabeça. Porém não era o suficiente, ainda sentia muito frio. Então olhei para a jenela do meu lado esquerdo, ela estava fechada, contudo não possuía cortina, assim conseguia ver lá fora. Como o dia estava ensolarado, tinha a linda visão de um vale, com um lindo rio correndo entre ele. Podia ouvir os passáros cantar felizes, comemorando o dia feliz.
Não podia entender o porque não saia daquele lugar triste, porque eu não tirava aquelas roupas e não sentia o dia quente que estava lá fora. Eu preferia estar sentindo frio a sentir como seria melhor lá fora.

Me sentei, e olhei para ela triste quase chorando. Então andei até a janela e olhei pra o céu azul que estava lá fora.
-Deus - disse falando alto - me ensina a não ficar aqui dentro quando há um dia tão belo lá fora.